Termômetro das crises

Diferente do que muitos casais acreditam, um relacionamento sem crises e sem problemas, nem sempre é sinal de um relacionamento estável e saudável. Todo relacionamento a longo prazo enfrenta diversas fases. Ao longo dessas fases podem surgir diversas crises que acabam por esfriar e, em casos mais extremos, por sabotar a relação. Pensando nisso, preparamos para você, querida leitora, um artigo sobre as diferentes fases do casamento e quais os problemas que elas podem trazer consigo.

 

  • Luto da paixão

Com o tempo, o primeiro problema que é necessário lidar é o que se pode chamar de “luto da paixão”. Se no início de um relacionamento, as pessoas são totalmente arrebatas pela paixão pelo outro, por aquela vontade incontrolável de estar junto o tempo todo e até mesmo pela atração sexual avassaladora; depois de algum tempo, em quase todos os casos, essa paixão vai diminuindo. A primeira grande crise de um casamento ou relacionamento pode ser justamente essa, na fase do luto da paixão. Na verdade, isso ocorre com a grande maioria dos casais, o que garante se o casal vai ou não sobreviver à crise, está na maneira como vai lidar com ela. Já que um dos principais motivos do fim da paixão é fruto da intimidade e da falta de novidades que o outro proporciona, reinventar-se para surpreender o parceiro pode ser uma boa opção. Além disso, muitas pessoas afirmam que é justamente quando a paixão vai embora que surge um outro sentimento mais estável e duradouro: o amor.

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  • Choque de expectativas

Na segunda fase, seja durante o esfriamento da paixão ou depois dela, começam a aparecer os choques de expectativa. A convivência diária traz consigo a intimidade, como já foi dito acima e, além de diminuir a paixão, outros problemas podem aparecer. Ao conhecer uma pessoa e começar a se relacionar com ela, é muito comum idealizarmos essa pessoa para preencher alguns pontos que ainda não sabemos sobre sua personalidade, mas o convívio diário além de acabar com as expectativas, muitas vezes, também mostra que estávamos errados em relação a muitas coisas.

Além disso, é só quando o relacionamento se torna mais sério e quando passamos mais tempo com a pessoa que podemos perceber as diferenças de expectativas, de interesses e de objetivos. E, se no começo, essas diferenças diziam respeito apenas, por exemplo, ao que comer, para onde sair no final de semana, a probabilidade é que elas se tornem bem mais sérias ao longo do tempo. Tudo isso influencia em quanto e como desejamos o parceiro (quem não conhece um casal que não deu certo simplesmente por diferenças religiosas, políticas e até por causa do time de futebol, não é mesmo?). É geralmente nesse ponto que o príncipe começa a virar sapo (e a princesa também!) e é preciso tomar muito cuidado para que o amor por aquela pessoa perfeita “inventada” no começo da relação não deixe de existir quando, de fato, você passe a conhecer a pessoa como ela realmente é.

 

  • Chegada dos filhos

A terceira fase começa com a gravidez e o nascimento do primeiro filho, que traz diversas mudanças à vida do casal. Ambos precisam se adaptar a papeis novos e diferentes de tudo que já vivenciaram, além do papel conjugal, eles agora também são mãe e pai. Um filho pode agitar a rotina do casal, pois é preciso trocar fraldas, alimentar o bebê, dar banho e atenção 24 horas por dia. Se o casal já não tinha muito tempo para passar junto devido ao trabalho, o tempo se torna ainda mais curto. Com tudo isso, também fica difícil ter disposição para o sexo, já que a nova rotina traz mais cansaço físico e stress.

Os sentimentos em relação a tudo isso podem se tornar um pouco confusos, se em determinados momentos o bebê é a coisa mais linda do mundo, em outros pode causar irritação, se acorda chorando durante a noite, por exemplo. Nessa fase o companheirismo se torna essencial, para que nem pai e nem mãe fiquem sobrecarregados e também para que a vida sexual do casal não entre em extinção.

 

  • Meia-idade

Com a chegada da meia-idade vem também a tão famosa “crise da meia-idade”. Com a crise pessoal se juntam os filhos adolescentes e seus problemas típicos e o fato de que muitos precisam ainda cuidar de seus pais já idosos e, às vezes, debilitados. Com tudo isso, é até normal que as pessoas se sintam mais sobrecarregadas do que jamais se sentiram.

Os dados estatísticos também não são nada animadores, primeiro: atualmente, a cada quatro casamentos, pelo menos um acaba em divórcio. Segundo: é justamente nessa fase que grande parte dos divórcios ocorre (embora pelas tendências atuais os divórcios venham ocorrendo cada vez mais cedo).

 

  • Síndrome do ninho vazio

A última fase é conhecida como “Síndrome do ninho vazio” e acontece quando os filhos saem de casa e sua ausência passa a afetar os pais. Normalmente há maiores problemas quando um dos dois passou boa parte da vida apenas se dedicando a cuidar dos filhos e acabou deixando de lado a própria vida social, profissional ou a vida conjugal. Por isso, é aconselhável que mesmo com o nascimento e o crescimento dos filhos não se abra mão da própria vida social, conjugal e profissional (mas é claro que essa última, sobretudo, é uma opção pessoal e que não devemos deixar de respeitar).

Além disso, a menopausa e a andropausa atuam diminuindo os impulsos e afetando o desempenho sexual, no entanto, isso não quer dizer que a vida sexual acabou, é apenas importante que as relações sexuais respeitem o ritmo e a capacidade física de ambos. Surgem também as dificuldades em envelhecer, como a alta irritabilidade e os problemas de saúde. Nessa fase também pode ocorrer a procura por parceiros mais jovens.

Agora que você já conhece as fases do casamento e suas prováveis crises é possível identificá-las em seu próprio relacionamento. Cada uma delas requer ações distintas, mas também há coisas que podem ser feitas para melhorar o casamento em qualquer uma dessas fases. Para tanto, é preciso disposição de ambos os lados, se apenas um de vocês ficar insistindo em melhorar e o outro não estiver interessado, é bem provável que essa pessoa acabe desistindo de tentar.

É importante que você tenha em mente que todo casal passa por crises eventualmente, no entanto, essas crises não vão simplesmente desaparecer e ficar esperando que elas passem, muitas vezes, pode custar muito caro. Em primeiro lugar, é importante que você entenda que as crises podem e devem ser usadas como um termômetro para que você saiba o que precisa ser resolvido e melhorado. O ideal é usar as crises de forma construtiva para se alcançar um casamento saudável e feliz para ambos. Mas com certeza, é preciso muita dedicação e paciência para resolvê-las. Apesar de ninguém gostar muito das chamadas “DR’s”, se feitas com bom senso e se o casal estiver disposto a realmente trabalhar para resolver os problemas, elas podem ajudar muito no restabelecimento da relação.

Aprender a respeitar o outro, bem como, respeitar as qualidades e defeitos dele é um trabalho para a vida toda. Conviver com as diferenças e encontrar o equilíbrio numa relação a dois, pode não ser nada fácil, mas com certeza vale a pena.

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