Mitos e verdades sobre a fertilidade por Dr. Rodrigo da Rosa Filho

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Mitos e verdades sobre a fertilidade por Dr. Rodrigo da Rosa Filho

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Casais que pretendem ter filhos chegam ao consultório com muitas dúvidas.  O doutor Rodrigo da Rosa Filho, ginecologista, obstetra e especialista em reprodução humana, responde algumas das questões mais frequentes sobre o que afeta ou não a fertilidade do homem e da mulher.

 A mulher tem mais problema que o homem para engravidar. MITO

As causas de infertilidade são bem distribuídas entre o casal, sendo que em 30% dos casos o fator é feminino e 30% é masculino. Em cerca de 30% dos casos os problemas podem ser tanto do homem quanto da mulher. O restante é desconhecido.

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 A mulher tem mais dificuldade em engravidar a partir dos 35 anos. VERDADE

Quanto mais idade a mulher tiver, menos chance ela tem de engravidar, já que os óvulos vão perdendo a quantidade e a qualidade com os passar dos anos. E com o passar da idade, maior é a chance de aborto e de bebês nascidos com síndromes cromossômicas.

Na fertilização in vitro, uma das técnicas utilizadas para quem tem dificuldades em engravidar, por exemplo, as chances de engravidar variam de 40% a 60% nas mulheres com até 35 anos. A taxa cai para 25% nas mulheres com 40 anos e para 10% com 42 anos.

Uma vida saudável, sem o consumo de álcool e cigarro, com uma alimentação adequada e prática de exercícios ajudam a aumentar as chances de gravidez, mas não rejuvenesce os óvulos.

A alimentação influencia na fertilidade. VERDADE

Uma alimentação adequada e balanceada pode elevar as chances de engravidar em até 40%. O casal deve incluir na dieta frutas frescas, vegetais, peixes, carnes magras, nozes, castanhas, azeite de oliva extravirgem, ovos e, preferencialmente, alimentos orgânicos.

Recomenda-se evitar carne vermelha, carboidratos simples como doces e farináceos, refrigerantes, derivados do leite e alimentos industrializados.

Álcool, cigarro, drogas e anabolizantes afetam a produção dos hormônios femininos e masculinos e ocasionam a infertilidade. VERDADE

Essas substâncias agem diretamente no cérebro, que está diretamente ligado às funções reprodutivas sexuais. Elas afetam a produção dos hormônios femininos e masculino levando a infertilidade. Há também alterações diretas nos ovários ou testículos ocasionadas pelo álcool ou cigarro.

Se o casal quer engravidar e um dos dois bebe, fuma, é usuário de drogas ou anabolizantes, é aconselhável que a utilização seja interrompida imediatamente. Com a suspensão, o corpo masculino pode voltar a produzir os espermatozoides e o feminino pode regularizar a menstruação – geralmente, o organismo volta ao normal após três a seis meses sem as substâncias. Caso, o quadro não se reverta, é preciso procurar ajuda profissional para avaliação e decidir qual o tratamento adequado.

Café, refrigerantes de cola,chás e chocolates podem ocasionar aborto. VERDADE

Durante a gestação, o consumo excessivo da cafeína presente no café, nos refrigerantes de cola, chás, chocolates e algumas medicações aumenta as chances do bebê nascer prematuro e com peso abaixo do ideal e a mãe corre maior risco de aborto. Por outro lado, o consumo de até 2 xícaras de café por dia não apresenta riscos antes ou durante a gravidez. Os antioxidantes da cafeína ajudam a proteger as células, estimula o cérebro, mas em excesso é prejudicial à saúde da mãe e do bebê.

O homem que fez vasectomia não poderá ter mais filhos. MITO

Hoje em dia é possível realizar a cirurgia de reversão da vasectomia nos homens que desejam ter mais filhos. Outra opção é a fertilização in vitro com a retirada dos espermatozoides diretamente do epidídimo. É preciso levar em conta alguns fatores como o tempo da vasectomia e a idade da mulher. Quanto menor o tempo de realização da vasectomia, maior a taxa de sucesso da cirurgia de reversão. Se, por exemplo, o tempo for maior do que 10 anos, e a mulher tiver mais de 35 anos, a chance de engravidar começa a decair e a fertilização in vitro é indicada.

 Mulher que tem endometriose não pode engravidar. MITO

Quanto mais cedo for o diagnóstico da endometriose e o tratamento efetivo, a gestação espontânea é possível. Em alguns casos, o tratamento de fertilização in vitro é indicado para engravidar.

Mulher com ovário policístico também não pode engravidar. MITO

A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é caracterizada por alterações hormonais. Ela  promove a ausência de ovulação, trazendo irregularidade nos ciclos menstruais e afeta de 6% a 10% das mulheres em idade reprodutiva, representando cerca de 30% dos casos de infertilidade conjugal. Porém, com tratamento adequado, é possível reverter o quadro para mulher voltar a ovular espontaneamente e engravidar. A inseminação artificial também pode ser uma opção nesses casos.

O vírus da caxumba pode causar infertilidade.  VERDADE

As alterações na fertilidade ocorrem em 50% dos homens que contraem o vírus da caxumba. Os testículos podem atrofiar, reduzir e piorar a qualidade  da produção dos espermatozoides. As consequências podem ser desde alguma dificuldade reprodutiva até a total esterilidade.

Ao ser infectado pelo vírus da caxumba recomenda-se fazer um espermograma, exame que analisa a qualidade do sêmen. Se o exame detectar possíveis problemas é preciso procurar ajuda em uma clínica de fertilização assistida para a criopreservação do sêmen.

Todo o tratamento de fertilização in vitro resultará em gestação múltipla. MITO

Na fertilização in vitro costuma-se transferir mais de um embrião, aumentando a probabilidade de gravidez múltipla, porém não é obrigatório e pode ser transferido um único embrião. Mesmo nos casos de transferência de 2 ou mais embriões, a maioria das gestações geradas são únicas. O número de embriões transferidos varia de acordo com o caso, podendo ser no máximo dois em mulheres de até 35 anos, três embriões em mulheres dos 36 aos 39 anos, e até quatro nas acima de 39 anos. A taxa de sucesso varia de acordo com a idade da mulher e com as causas da infertilidade – e variam de 5% a até 60% por tentativa.

 

Dr. Rodrigo da Rosa Filho

O médico Rodrigo da Rosa Filho é Graduado em medicina pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM), ​é​ membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (SOGESP), e colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da SBRH e autor do livro ” Ginecologia e Obstetrícia- Casos clínicos” (2013).

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